Eu precisava viver, já não sabia mais como era …

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Eu precisava ir embora, a hora já tinha chegado a muito tempo. Eu precisava viver, já não sabia mais o que era isso. Minha vida era só ele. Meu mundo se resumia ao mundo dele e eu me apagava cada vez mais. Eu cuidava dele e me deixava descuidar. Eu amava ele ao invés de me amar.  Eu achava que só existia ele e que se por acaso um dia não estivesse mais ali, o mundo ia acabar, eu ia morrer sei lá. Eu fui criando teia naquela casa sozinha esperando por ele, nem saía mais. Eu ficava lá, fazendo cama, sala e cozinha. Fazendo um jantar para quando ele chegasse, se alimentar bem. O que não adiantava de nada por que ele só chegava no outro dia para o café da manhã mesmo. Eu sempre me preocupei com ele, mas ele não se preocupava comigo. Eu achava que se eu ficasse lá e dedicasse todo o meu tempo pra ele, cuidasse de tudo; ele não ia mais fazer besteira; doce ilusão; ele fazia mais ainda. Eu cuidava muito dele e esquecia de mim. As unhas já estavam todas fracas, amareladas. O cabelo fraco e desidratado, para combinar comigo. Eu não podia mais continuar ali, tava me afundando cada vez mais. Eu não aguentava mais, chorar todo o dia ou toda vez que uma tentativa de o fazer lembrar do amor que tinha por mim falhava. Eu não podia mais me deixar de lado como tava deixando. Não podia mais ser um passatempo; eu queria ser prioridade; aquele vai e vem já tava me machucando muito. Eu já não aguentava mais, já tava exausta demais para continuar. Então um dia – com o coração gritando mais que tudo de dor, não pense que não doeu – eu fiquei duas horas criando coragem pra fazer aquilo – mais um dos dias em que eu acordei sozinha, chorava muito – não sei se era por mais uma vez ele não estar ali, ou se era por perceber que eu ia ter mesmo que ir embora – botei minhas roupas na mala. Escrevi um bilhete, com as mãos trêmulas e as lágrimas que caiam na folha, disse que iria partir. Botei o bilhete na mesa e fiquei olhando pra cada canto daquelas paredes, tantos momentos bons que eu vivi ali, chorava pensando o porquê eles não podiam voltar. Depois de uma longa passeada por todos os cantos e momentos, eu fui embora. Eu precisava fazer isso. Eu fiz o máximo que pude, mas já não tinha mais o que fazer. Eu fiz o máximo que pude, eu precisava me levantar do fundo daquele poço. Eu fui embora, fui para outro lugar; fui aprender a viver

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