Eu trancada naquela casa, enquanto você fazia suas besteiras por aí …

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Eu tava cansada. Entediada. Estagnada. Acabada de todas as formas. Eu não aguentava mais ficar trancada naquela casa olhado pras paredes, enquanto você vazias suas besteiras por ai. Tava cansada de me sentir um lixo, de me culpar por cada besteira que você fazia e por que eu te deixava ficar no outro dia. Depois de suas noitadas você chegava com aquele cheiro de álcool misturado com perfume de mulher barato e dizia que nada tinha acontecido. Eu sabia que não era verdade, sim, por que em uma de meus acessos de raiva, em uma de suas noitadas eu te segui, e vi o que eu não queria enxergar, o que você já tava esfregando na minha cara e eu me cegava de todas as formas pra não ver. Eu vi. Eu sabia que era mentira. E você com a maior cara deslavada dizia que não, e era só essas tuas mãos e esse teu cheiro chegarem perto do meu rosto que eu aceitava, eu queria tanto que aquilo fosse verdade que eu acreditava nas tuas palavras vazias. Só que isso não impedia que a culpa me tomasse instantes depois. A noite quando eu chorava baixinho pra você não ouvir e eu continuar me fingindo de forte… Eu fui me diminuindo cada vez mais. Me deixando de lado. Esquecendo de mim mesma em nome de um amor que não existia mais a muito tempo. Podia até ter alguma coisa ali, mas não era mais amor. Era vaidade. Rotina. Cê tava comigo simplesmente por estar, por que era mais cômodo, por que de vez em quando ainda rolava uns beijos quando queria. E eu aceitava. Nem eu sei como eu ainda era apaixonada por você mas eu era, eu queria aquele amor e se migalhas eram a única coisa que eu pudia ter, eu aceitava. Eu tava me machucando cada vez mais sem perceber. Não por minha culpa, mas quando você tá parado no meio do trilho do trem mesmo sabendo uma hora cê vai ser atropelado e ainda assim continua ali, você ficando cada vez mais roxo. E eu tava ficando cada vez mais marcada. Eu não podia mais continuar ali aquilo tava me matando. Os poucos momentos bons já não recompensavam mais as lágrimas que eu chorava todo dia. Eu sabia que ia doer demais. Eu tinha que fazer aquilo rápido antes que eu perdesse a coragem. Soquei todas as roupas na mala, pus no lixo aquela foto do porta – retrato da mesinha de cabeceira, aquela foto não fazia mais sentido. Aqueles sorriso já não dávamos mais a muito tempo … Eu soquei tudo na mala e fui embora, tentar resgatar o meu amor próprio que eu tinha perdido em algum lugar daquele casamento … 

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