Foi bom o passeio com outro?

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— Foi bom o passeio com outro?

— Foi, me diverti bastante.

— Ah, deve ter se divertido mesmo, ele deve ter te pagado muitas coisas né, não é um duro como eu …

— Tem razão, ele não um duro como você. Ele me levou pra comer naquela lanchonete onde eu trabalhava, nos divertimos daquele brinquedo de corrida e também no de dança que você sabe que ia adorar por que amo dançar. Depois de tudo ele me pagou um milkshake delicioso que eu nunca tinha provado.

— Ah, então você gostou mesmo …

— Enquanto eu tava comendo aquelas batatas eu só ficava pensando naquele cara duro, era ele que tava sempre ali comigo. Comendo as dele, e as minhas também. Era ele que gostava de fazer misturança com os hambúrgueres e a gente se divertia muito. Foi aquele cara duro que ia ali comigo, que foi me ver ali naquele mesmo lugar e ficou tão admirado que tirou até foto orgulhoso. Foi naquele mesmo restaurante que eu trabalhei a tarde inteira naquele dia pensando naquele menino duro, o meu sorriso ia de orelha a orelha, e naquele dia nada podia me chatear. Era aquele menino duro que era a minha força pra aguentar todas aquelas chatisses e quando eu briguei e não queria mais ir. Era aquele menino duro que foi me buscar ali naquela lanchonete, que se ajoelhou e me pediu em namoro. Era daquele menino duro que eu passava o dia inteiro com saudade. A gente tava ali naquele monte de brinquedos que eu queria muito experimentar, nas eu só pensava naquele dia em que o meu menino duro tava lá, quando a gente foi naquela piscina de bolinhas e ele subiu lá no alto, então eu fiquei jogando bolinhas até que ele caiu, aquele sorriso lindo daquele menino duro naquele época não saía da minha cabeça … Depois a gente foi no dance, ele tava ali dançando do meu lado, mas no meu coração só ficava tocando a fita de quando aquele menino duro tava ali comigo, dançando do meu lado, ele sempre ganhava de mim, eu amava ver ele dançando … Depois ele pagou um milkshake pra nós, e enquanto eu tomava aquele milkshake eu me lembrava daquele menino duro, ele não tinha dinheiro nem pra me comprar um churrasquinho desses de esquina, mas só de ficar  na companhia dele e daquele sorriso lindo dele, me fazia mais feliz do que qualquer coisa que pudessem pagar pra mim. 

— Então você não se divertiu?

— Me diverti. Mas não como eu me divertia com o meu menino duro.

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A carência te faz criar afetos imaginários

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Todos os dias eu voltava pra casa, ligava a tv, fazia um café bem quente pra tirar todo o cansaço do tia todo de pé, sentava no sofá e tirava os sapatos, Ah! que alívio! Ele chegava em casa tarde, quando eu já estava deitada pra dormir, me dizia um ” eu te amo ” e virava pro lado.

A minha rotina era exaustiva, cada dia que chegava ao final parecia que tinha passado um furacão por mim e me deixado toda errada. Eu ia dormir acabada. Nos meus dias de folga a gente gostava de ir pra praça e tomar um chimarrão. Ele contava piadas e a gente ria bastante contando um pro outro as nossas histórias de quando não nos conhecíamos e como foi tudo por acaso, histórias de quando criança. A gente ficava lá vendo o movimentos e os menininhos que jogavam volei no canto. As vezes a gente até pegava um bola de volei que a gente tinha em casa e ia jogar também.

Quando tinha um tempo livre em casa, eu não fazia nada, ficava o dia inteiro de pernas pro ar descansando tudo que eu tinha trabalhado na semana. Mas mesmo assim eu tava sempre cansada . . . 

Se você leu até agora deve achar que o meu relacionamento era maravilhoso não é!? pois é, mas não era. A gente conversava sim, muito, mas quando mais a gente conversava mais parecia que ele não me ouvia. A gente conversava sobre todas roupas bonitas que ele queria comprar e todas as marcas de sorvete possíveis, mas o que eu queria realmente falar pra ele, ele não escutava, desviava o assunto pra todos os outros possíveis, e fingia que tava tudo bem. Tudo que eu fazia era implorar a atenção dele, e ele notava todas as meninas bonitas que passavam na rua, mas a mulher que tava do lado dele, ficava de lado. A muito tempo que eu não sabia mais o que era ficar feliz por que ele tava em casa. Chegar e se sentir confortável, confiante. Sentir paz naquele abraço e o coração transbordando de amor. A muito tempo eu eu não sabia mais o que era amor. Embora eu tivesse uma pessoa do meu lado. Todos os dias me passava na cabeça o nosso começo, todos os momentos bons e como ele era atencioso, romântico. O olhava todos os dias e me perguntava onde aquele cara tinha se perdido. Nada mais era como antes. Ele não era mais o meu melhor amigo, os meu coração transbordando, era rotina, ele era só mais uma pessoa ali.

A gente não conversava direito, e sempre que eu tentava falar alguma coisa ele dizia que a culpa era minha, que eu não entendia ele, que ele tava cansado. Ele me dava todas as desculpa do mundo pra fazer o que fazia. Colocava toda a responsabilidade dos meus ombros e fazia eu me sentir como se fosse um nada, a culpada, o motivo do estresse dele, que eu não era bem resolvida comigo mesma. Veja só, eu queria um pouco de atenção e tudo isso virou em eu não ser resolvida comigo mesma. Não importa o que eu fazia, ele sempre dizia que eu tava pedindo demais, como se não tivesse direito de fazer aquilo, que eu era carente demais sei lá, era tudo eu, era sempre tudo culpa minha. E ele ficava lá, parado como se nada tivesse acontecendo. Me fazia me sentir uma boba por querer a atenção. Sim, todos os dias quando ia dormir ele me dava um beijo e dizia que me amava, que amor é esse que não me fazia me sentir amada? ele dizia tanto que me amava, mas não me notava, não se preocupava. Ele dizia tanto que me amava  mas me humilhava, desdenhava de mim e de tudo que eu queria.  Dos meus sonhos. Dos meus planos. Ele dizia que me amava mas desdenhava de tudo que eu fazia. Como se já tivesse me dando o suficiente e eu era a errada por querer mais.

Ele costumava dizer muito que me amava, e pra quem via de fora, parecia mesmo que a culpada era eu e que não valorizava o amor que ele tinha por mim. Mas só eu sabia como era a vida real, e na vida real não era tanto amor assim. Ele costumava dizer muito que me amava mas me fazia me sentir um lixo, vazia, exausta, eu sentia todas as emoções possíveis naquele relacionamento, menos que eu era amada.

Apesar de tudo aquilo era muito apaixonada por ele. Não estaria mais ali se não fosse. E por ser muito apaixonada eu procurava amor em qualquer coisa que eu pudesse achar. Eu queria achar. Eu não queria que o nosso amor lindo tivesse acabado então eu procurava exaustivamente algum tipo de amor. Até mesmo naquele ” eu te amo ” que ele dizia antes de dormir. Ele chegava com flores lindas e eu dizia pra mim mesma que tudo tinha volta ao normal. Ele me dava um beijo acalorado e eu esquecia tudo que ele tinha feito no dia anterior. Eu ficava dizendo pra mim mesma que eu precisava entender mais, que talvez não fosse tanto, que ele era carinhoso comigo. Que eu tinha que lutar mais  Mas na verdade eu tava lutando sozinha, talvez por isso não tinha mais força pra achar que tava tudo bem. — Ele puxava a cadeira pra mim sentar e eu via amor naquilo ali. Era a única coisa que eu tinha . . . e na verdade eu acho que ele fazia pra isso mesmo. Pra me dar umas migalhas pra eu não pensar que ele já não tava nem aí pra mim mesmo. A carência te faz criar afetos imaginários. 

Nossa história

Eu tinha duas escolhas pra fazer: um amor calmo e tranquilo, ou um todo errado e cheio de barras, que tinha tudo pra dar errado. O certo, ou o duvidoso. E talvez se eu fosse uma dessas mulheres que pensam mais com a cabeça teria escolhido o certo. Mas eu, eu preferi o duvidoso … 

Não foi fácil, não foi mesmo. Tinha dias que eu olhava pra tudo aquilo e pensava o que eu tava fazendo ali. Eu pensava ” Meu Deus, eu to presa, alguém me tira daqui, eu não consigo mais sair . . . “

Tinha dias que ele tava insuportável, que parecia que tudo voltava e por mais que eu falasse e gritasse na frente dele nada adiantava. Tinha dias que a minha paciência esgotava, então eu dormia e esperava até que chegasse o próximo dia pra me recarregar. 

Ele me pedia desculpa, e depois fazia de novo, e depois me pedia desculpa. E ficava naquela rodinha sabe . . . foi difícil, teve dias exaustivos, doídos.

Mas o tempo foi passando e passando, e apesar de todas as burradas e caídas que ele teve no caminho, ele foi mudando. Ele foi subindo, de degrau em degrau, e eu fui amparando ele em cada andar. Eu sabia que ele podia ser mais, eu sabia que ele podia ser melhor. Que se quisesse de verdade podia mudar e se tornar o que ele queria ser de verdade. E eu queria fazer isso, por ele, por nós. Eu queria transformar ele em um homem, o homem que eu sabia que ele podia ser.

Eu vi ele se transformar de um menininho imaturo num homem. Eu fiz muitas coisas que me machucaram na hora, eu falei muitas coisas que machucaram ele também, mas eu fazia isso pro bem dele, eu sabia que ele precisava disso pra crescer. Eu fiz muitas coisas que ele não gostou, mas eu fiz, pra que lá no futuro, ele soubesse como lidar com elas sem precisar se machucar tanto como ele mesmo se machucava. Eu vi ele chorando na minha frente muitas vezes, eu queria ir consolar, passar a mão na cabeça como eu sempre fazia, mas naquelas horas eu me segurava bem forte, por que eu sabia que isso não ia ajudar em nada, ele precisava aprender a lidar com aquilo sozinho, ele precisava ser forte, e eu tava tentando ensinar isso a ele. Eu fiz por amor, afinal, o mundo lá fora, não ia tratar ele com a mesma calma, o mundo lá fora não ia pensar nele. E ele precisava aprender a enfrentar o que viesse pela frente. Eu tava tentando tornar ele um homem. Eu tava tentando fazer daquele menininho imaturo que não sabia ouvir nada um homem, maduro, que sabe aceitar, que sabe compreender, que vencer as barras que a vida traz.

É, não foi fácil, teve dias que ele fraquejou, teve dias que eu fraquejei e ele me abraçou enquanto eu chorava.

Mas ao poucos, eu fui vendo. Eu vi ele se tornar de um menininho imaturo, num homem. E ele se tornou um homão, o homem dos meus sonhos. 

Isso aconteceu a 20 anos, hoje a gente tem uma casa linda perto da praínha, e ele adora chegar do serviço, perguntar como foi o meu dia e brincar com os nossos dois filhos, uma tem 10, e o mais velho 15 anos. Eu fiquei grávida aos 22, e o meu menininho imaturo que remangou as roupas e esteve ao meu lado durante toda a gestação, que aturou as minhas mudanças de amor, os meus desejos malucos e as vezes que chorava sem motivo nenhum. Que acordava de madrugada por que eu tinha perdido o sono e me abraçava bem forte. Ele aprendeu a trocar fralda, tentou ler vários livros de como acalmar quando o bebê chorava de manhã mas nenhum deu muito certo. A gente aprendeu junto.  Na verdade os dois eram uns crianções quando a notícia da gravidez veio e a responsabilidade bateu a porta, a gente teve que aprender, quebrou a cara algumas vezes até que um dia deu certo. A gente foi pegando o jeito. A gente cresceu junto, conheceu a vida adulta e as responsabilidades que vem com ela um dando amparo pro outro.

Hoje em dia a gente adora sentar na frente da tv e ver nosso filme favorito com um balde de pipoca ( doce é claro ) e ficar ali bem agarrado numa sessão em família em casa. Ou então, quando faz sol a gente vai pra frente de casa e toma umas cervejas. Eu vi ele se transformar de um menininho imaturo, num homem, e ele se tornou o amor da minha vida . . . 

Eu não sei se o que eu fiz foi o certo, nem vou dizer pra você fazer o mesmo. Mas eu, eu não me arrependo de nada da nossa história . . .

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Não sou tua meio amiga, nem teu meio amor.

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Não sou teu final de feira, nem a tua alegria passageira.  Não sou teu pneu de step do carro. Não  sou o teu beijinho no final da noite nem o teu sexo pra dar conta do teu prazer carnal de pegar todas elas. Não sou o teu abrigo e morada só quando te dá vontade. Não sou teu café meio frio, ou é aquele bem quente e forte, ou não é nada. 

Eu sempre fui intensa. Algumas vezes até demais, eu admito, talvez por isso me machuquei tanto. Por que eu sempre fui assim, inteira na amizade ou no amor. E não admito nada a menos que isso. Se eu vou me entregar pra você, se entregue pra mim também, se não for pra ser recíproco, não tem graça, é xoxo, nem me atrapalhe. Eu sempre fui completa e não suporto que nada chegue pra acabar com isso. Se for pra me anular, me esquecer, se não for pra me fazer sentir a pessoa mais completa e amada do mundo eu nem quero.  

Eu não sou o livro velho que você guarda no meio das suas coisas jogadas no quarto. E não, eu não vou aceitar ser mais uma, não vou aceitar ser piadinha de menino imaturo se gabando pros amiguinhos que me tem quando quer, que me faz de gato e sapato. Até por que quem faz alguma coisa de mim sou eu mesma, e eu me tenho demais pra me deixar tão largada assim. Não, não vou aceitar ser teu sexo no final da noite na finaleira pra depois você ir embora e não me dizer nem o teu nome. Não. Não é assim que funciona, pelo menos comigo não.

Eu sou muito minha, eu me amo demais. Se for chegar, que aceite me cuidar também, é o mínimo. Se for chegar, que me valorize e que saiba o mulherão que tem do lado, e claro, que faça por merecer. Se for pra chegar, que me ame todos os dias, que me escreva em eu te amo, que me dê bom dia todo o dia com um beijinho, que me abrace bem forte, compre chocolate e aceite ver um filme de comédia romântica bem coladinho sexta a noite. Não aceito nada a menos que isso. 

Eu sou completa demais pra ser meio termo de alguém. Ou eu sou inteira ou eu sou nada. Se eu sou tua amiga, eu sou amiga de verdade, tua melhor amiga, daquelas que está sempre ali, pra quando precisar. Ombro pra chorar, conselheira de plantão. Se não, nem faço questão.

Ou eu sou o amor da tua vida e inteira pra você, e isso é recíproco, ou faça o favor de nem chegar. Eu quero a mim mesma, eu quero me amar, eu quero me sentir completa, e pra isso não preciso de ninguém que não queira estar aqui de verdade. Intensa. Porque, eu não sua meio amiga, nem seu meio amor. 

Por que assim como o café, o amor não serve frio.

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Aquele frio na barriga, aquele coração saindo pela boca, aquela saudade daquela pessoa que você viu a 10 minutos atrás, sem eles, o amor não tem validade. O amor não vale de nada se não tem beijinho abracinho e muita coisa melosa, filme colado, beijo roubado, guerra de travesseiro, sorriso estampado no rosto. O amor não é uma construção individual, ou se faz em dupla, ou não vai dar certo. Não adianta tentar trabalhar sozinho nem botar na cabeça que tem ” amor pelos dois” então vai segurar a barra, por que não vai. Por que a gente não tem forças sozinho, as vezes a gente tem que ser recarregada, e se você só doa, chega uma hora que não tem mais nada, tá vazio. E aí mesmo que você queira, não vai rolar. E o mais importante, você não tem culpa nenhuma disso. O amor não tem graça se não é recíproco, não serve, não encaixa. Não dá pra depositar toda a nossa confiança, nossos sonhos e planos num lugar onde eles vão morrer ali mesmo. Não dá pra sonhar, se a outra pessoa não sonha junto. Não dá pra planejar a cor da parede do quarto se o outro não está nem preocupado se vocês vão ter ela um dia ou não. O amor não se pode adiar, não se pode deixar pro outro dia, nem pra agarrar quando perceber que foi embora. O amor tem que se conquistar todos os dias. Por que, aquela outra pessoa também poderia ter quantos ela quisesse, estar com outra, fazer planos com outra pessoa como protagonista. Mas não, ela tá aí, querendo você, se esforçando, planejando tudo e se esforçando pra dar o melhor dela pra você, e tudo que ela quer e que você dê o seu melhor também. O amor tem que ser conquistado, todos os dias, leva uma flor pra ela, dá um beijo de bom dia, faz uma torrada com um café bem quente de manhã quando ela acordar, não importa o preço, importa a atitude. Mostra o quanto ela é importante pra você, pega um pedaço de papel e escreve um eu te amo, valoriza o que ela faz por ti. O amor sozinho não dá certo. Sozinho a gente não tem animo, auto – estima, vontade. Sozinho não vai, não pega no tranco. Por que assim como o café, o amor também não serve frio. 

Eu to me apaixonando por esse cara novo que eu to vendo em você

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Eu to apaixonada por esse cara novo que eu to vendo em você. Eu me lembro quando eu te disse que o nosso amor tava perdido e que algo precisava mudar, tava frio, tava seco, tava gasto. Cê não tava mais regando e eu também tava sem forças pra regar sozinha. Que cê precisava fazer alguma coisa, cê precisava me conquistar de novo, porque eu já tava descrente no nosso amor … Pois bem, eu to vendo um novo moreno em você. Cê tá me conquistando de novo moreno eu to cada vez mais me apaixonando de novo por esse cara ai que eu to vendo em você. E como é bom se apaixonar pelo mesmo sorriso todos os dias, e eu to completamente apaixonada. É um romance tão bom, me sinto como se fosse o nosso começo lá atrás, que eu eu fui descobrindo os teus gostos, teus sorrisos, teu jeitos, teu defeitos, tuas manias, tuas qualidades, teus traços, e eu me apaixonava por cada um deles. E eu to me apaixonando por cada partezinha nova que eu conheço tua de novo, eu to me apaixonando por cada sorriso, abraço. Eu to vendo o teu empenho, eu to vendo que cê quer mudar de verdade. Eu to vendo cê lutar por mim, por você e por nós, e eu to me apaixonando cada vez mais por isso. Que saudade desse moreno que eu tava! o meu moreno de volta. O meu moreno que eu conheci. O meu anjo, o meu refúgio, o meu lar. Tu tá me apaixonando de novo moreno, cada vez mais! Eu to amando cada abraço, cada cheiro, cada toque, cada sorriso. Aliás, que sorriso lindo que tu tem! meu porto seguro, aquele sorriso faz todas as partes do meu corpo cantarem de alegria anunciando que eu te amo. Esse teu sorriso me acalma de um jeito. É a minha força! Ah, e não me deixe esquecer de falar que te amo. Amo te ver falando daquela promoção nova que conseguiu e de como tá empolgado com ela. Eu amo te ver quietinho assistindo aquele filme, ou quando tá com sono mas diz que não vai dormir mas tá caindo de sono e de repente eu te olho e cê tá caído no meu ombro. Eu amo te ver nem que seja ali quietinho sem fazer nada, e a carinha que faz quando vai ajeitar o óculos. Eu te amo, te amo por inteiro. Moreno, eu to me apaixonando cada vez mais por esse cara novo que eu to vendo em você. 

Parte 2: Bateu saudade de nós?

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Eu te falei. Enquanto eu estava olhando pra todos os cantos daquela casa e cada coisinha quebrava o meu coração e o meu desespero ia ficando cada vez maior, eu te falei, milhares de coisas, tentativas desesperadas de te fazer me pedir pra ficar, eu te falei, eu falei que eu tinha investido tudo na gente, eu te falei que eu larguei tudo por tua causa, larguei a minha vida pra ir viver na tua, eu me doei inteira pra você, pra nós dois. Eu esqueci todo o resto do mundo e só pensei em nós, eu movi esse mundo e o que quer que fosse pra me encaixar em você, e eu tentei te falar tudo isso, milhares de vezes, mas você não ouviu, você não ouvia nada do que eu tava falando, ou não queria ouvir.

Eu olhava pra tudo aquilo, aquela cama vazia, eu me sentia sozinha desesperada por que eu nunca mais ia te ver ali, e o meu primeiro impulso era te ligar e pedir, pelo amor de Deus fica, eu não imagino mais a minha vida sem você … por favor, não toca toda a nossa história nossa fora, não toca todos os nossos planos no lixo, por favor, por que depois eu não vou poder deixar você voltar. Por favor, pelo amor de Deus não faz isso, me prova que eu to errada, não faz os outros terem razão sobre você, não me faz ter que desistir de você, eu não quero por favor, não faz. Você fez, você jogou tudo fora. Tudo. 

Eu vi os meus sonhos, os meus planos, a vida que eu tinha construído toda cair, eu coloquei minha mão no fogo por você, e você queimou ela. Eu fui embora pensando em todos aqueles ” eu te avisei ” que eu ouvi, e o meu coração doía, doía muito, doía demais, eu posso falar dez mil vezes palavra doía, mas eu não vou conseguir expressar realmente o quanto tava doendo. 

Eu fui obrigada a superar. E como se já não bastasse a dor que tudo isso tinha me causado, eu ainda tive que aguentar a dor da tua ironia, que doía mais que tudo, por que eu olhava pra você e pensava ” que cara é esse que eu me apaixonei? “. Eu olhava pra você me machucando daquele jeito e tão vaidoso com isso e era uma dor, que ultrapassava tudo, era uma dor absurda, era uma dor horrível que eu nunca tinha sentido antes. E eu tinha que segurar o mundo dentro de mim, o mundo tava se partindo, tava tudo se quebrando ali dentro, e eu perto daquele mundo era tão pequena, mas eu precisava agarrar esse mundo, eu precisava segurar tudo aquilo que tava se quebrando dentro de mim, por que eu não podia demonstrar, eu tinha que ser forte. Era o que todos diziam … Mas eu superei, eu aguentei no osso. Eu dizia, escrevi nas paredes eu colei bem grande na cabeceira na cama, eu coloquei na minha cabeça que você não merecia todo o meu sofrimento, por que você mesmo tinha colocado tudo fora …

Eu disse que a tua farra não ia durar pra sempre, eu falei, que uma hora ia cansar, uma hora ia ficar chato. Eu te falei milhares de vezes mas você não me escutou né moreno. Eu falei que uma hora mesmo com toda aquela festança, algum pedaço do teu coração ia ficar vazio, era o espaço que eu ocupava.

O nosso filme colado de sexta, como naquela vez em que você chorou vendo o final daquele filme e eu também, e aí a gente se abraçava emocionado, aquele filme descreveu nós dois. O meu pé te esquentando no cobertor nesses dias frios que tá fazendo agora. Quando eu te acordava no meio da noite e te abraçava bem forte e não queria mais soltar. Quando eu te acordava de manhã com um beijo na testa falando no teu ouvido o quando eu te amava …

Pois é né, agora esse pedaço tá aí vazio. E que as vezes na vida moreno, a gente tem que fazer escolhas, mas o problema é que você não sabe fazer elas, cê quer ficar com os dois, e aí você acaba não ficando com nenhum. Você tinha tudo, tinha uma história que a gente já tinha construído a meses, uma mulher dentro de casa, planos que a gente fazia, toda a tua vida planejada, a gente já tinha até a nossa parede preta que a gente ia colocar nossos quadros e móveis antigos que a gente sempre gostou, você tinha tudo, toda uma história, mas cê preferiu jogar tudo isso fora, você preferiu a balada. A festada, a noite, as mulheres. Você preferiu me deixar ir embora, deixar a tua vida toda pra trás, por que tava cansado da ” gaiola.” Pois bem, você escolheu assim. Então agora cê fica sozinho. Você jogou toda a tua história no lixo e não tem como consertar.

Eu disse, eu disse que assim como você voltou da primeira vez ia voltar dessa. Assim como você sentiu falta antes ia sentir agora, também disse que dessa vez eu não ia te aceitar. Você ficou lá se gabando, tinha certeza de que nunca mais ia sentir a minha falta. O que que aconteceu moreno!? pois é, o problema é que vocês são inconsequentes, vocês não pensam no depois, cês querem muito o presente e esquecem de pensar no futuro. E você jogou todo o teu futuro no lixo.

Você nunca valorizou nada do que fiz por você, nada, eu me virei do avesso, eu virei o mundo do avesso por tua causa, eu larguei minha família, meus hábitos, meus costumes, eu larguei tudo, pra viver na tua vida. Pra construir uma pra nós. E nada. Nada foi o suficiente pra te fazer entender, eu tava falando com as paredes por que até elas me entendiam e você não. 

Da primeira vez você disse que tinha errado, que não ia mais fazer isso. Que tinha sido um idiota e que não ia mais vacilar comigo. Mas você vacilou, vacilou feio. Agora em dose dupla. Você fez isso de novo, mas eu já não sou a mesma mulher que te aceitou da primeira vez. Eu mudei, mudei muito. Uma mudança gigante e bruta. Eu não sou mais aquela mulher.

Eu não quero mais isso. Eu não quero mais aquela vida. Eu não posso depositar toda a minha confiança, os meus sonhos e planos, eu não posso construir o muro com um cara que num belo dia vai acordar e quebrar tudo. Eu vou ver todos os tijolos que eu demorei tanto pra conseguir comprar quebrados. Eu vou ver o meu muro todo despedaçado. Eu não posso construir a minha vida num lugar tão instável e tão bambo assim. 

Eu quero um lar tranquilo. Alguém que eu posso depositar a minha confiança, alguém que fica, apesar de tudo. Alguém que reconhece e valoriza todo o esforço que eu faço e que isso seja mútuo. Eu quero alguém que me passe segurança, alguém que lute por mim, por nós, e que seja morada. E esse alguém, já não é mais você.